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Psicólogo pode anunciar? O que o CFP permite e proíbe

A Nota Técnica CFP 1/2022 permite divulgar formação, abordagem e público. Proíbe preço como propaganda, desconto, sorteio e promessa de resultado.

Psicólogo pode divulgar o próprio trabalho, inclusive com anúncio pago: a Nota Técnica CFP 1/2022 diz que a escolha do meio de divulgação é autônoma, desde que ética e com responsabilidade de quem escolhe. O que pode aparecer é técnico: formação, público atendido, abordagem teórica e forma de trabalho. O que não pode: usar o preço como propaganda, com termos como desconto, valor acessível ou pacote promocional, fazer sorteio ou cupom, prometer resultado, ser sensacionalista e usar depoimento de paciente. E toda divulgação precisa do nome completo, da palavra psicóloga ou psicólogo e do número do CRP.

O que a Nota Técnica CFP 1/2022 diz sobre divulgação

A Nota Técnica CFP 1/2022 foi publicada pelo Conselho Federal de Psicologia para orientar a publicidade nas redes sociais. Ela não cria regras do zero: organiza o que já está no Código de Ética Profissional do Psicólogo, nas resoluções do Conselho e no Código de Defesa do Consumidor, aplicando ao mundo digital.

O ponto de partida é positivo. Segundo a nota, o psicólogo pode destacar na publicidade a formação, o público que atende, a abordagem teórica, a metodologia de trabalho e outras questões técnicas que caracterizam a atuação. E tem autonomia para escolher os meios de divulgação, avaliando quais redes e plataformas são mais adequadas eticamente ao seu trabalho e ao seu público.

Ou seja: a nota não proíbe anúncio pago. Ela exige que o anúncio respeite o Código de Ética, e deixa claro que a responsabilidade é de quem anuncia.

O que precisa aparecer em toda divulgação

A nota diz que é obrigatório informar, em qualquer meio:

  • o nome completo ou o nome social
  • a titulação psicóloga ou psicólogo
  • o CRP em que está inscrito e o número de registro

Apelido e logomarca são permitidos, desde que venham junto desses dados. Na clínica que é pessoa jurídica, a nota atribui ao responsável técnico a função de garantir que a publicidade cumpra as normas.

No anúncio do Instagram, isso vai na legenda ou na arte. No perfil, na bio. Na página de destino de um anúncio do Google, em local visível.

Preço, desconto e sorteio: o que o CFP orienta

Este é o ponto que mais muda a forma de anunciar. A nota orienta, com base no artigo 20 do Código de Ética, que o preço não seja usado como forma de propaganda, e lista termos a evitar:

  • preço social
  • atendimento social
  • desconto
  • pacote promocional
  • valor acessível
  • qualquer termo que faça referência a vantagem financeira do serviço

Também não são permitidos cupons promocionais e sorteios. Por outro lado, divulgar convênios com instituições, universidades, faculdades e clínicas é permitido.

O trabalho voluntário pode ser divulgado, mas a nota faz um alerta: é inadequado oferecer atendimento voluntário com a finalidade de captar clientes. E só deve ser oferecido quando o psicólogo puder garantir a continuidade e a qualidade do atendimento.

Na prática, anúncio do tipo "Terapia a partir de R$ 60, valor social" ou "Primeira sessão com 50% de desconto" vai contra a orientação. O valor pode ser tratado na conversa com quem procurou, mas não como chamariz do anúncio.

Depoimento de paciente e sigilo

A nota é direta: o psicólogo não pode usar depoimentos nem fotos de pessoas atendidas na publicidade. Com consentimento expresso, por escrito, o uso é permitido, mas não recomendado, pelo risco de exposição da pessoa atendida, em especial crianças e adolescentes.

Também é vedado usar na publicidade diagnóstico, análise de caso ou orientação que identifique a pessoa atendida. O Código de Ética proíbe divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos de forma a expor pessoas.

Isso elimina dois formatos muito usados por outras áreas da saúde: o print de mensagem de agradecimento e o "caso de sucesso". Em psicologia, eles não cabem.

O que mais o anúncio não pode ter

A nota lembra outras vedações do Código de Ética que se aplicam à publicidade:

  • Sensacionalismo.
  • Previsão taxativa de resultados, como "supere a ansiedade em oito sessões".
  • Autopromoção em detrimento de outros profissionais, inclusive de outras áreas.
  • Oferecer atividades que são privativas de outras profissões.
  • Induzir alguém a recorrer aos seus serviços.
  • Publicidade enganosa ou abusiva, e métodos comerciais coercitivos, que o Código de Defesa do Consumidor também proíbe.

O item sobre induzir pede cuidado com a chamada do anúncio. Convidar a conhecer o trabalho é diferente de pressionar. "Saiba como funciona a terapia" informa. "Não deixe para depois, agende agora antes que seja tarde" pressiona.

As regras da Meta valem por cima

Mesmo cumprindo a nota do CFP, o anúncio pode ser reprovado na Meta. A política de atributos pessoais proíbe o anúncio de afirmar ou sugerir uma condição de saúde mental de quem está vendo. A própria página da Meta traz um exemplo de psicologia: "A depressão está deixando você para baixo? Procure ajuda agora." é reprovado, enquanto "Aconselhamento contra depressão" é aceito.

A regra da Meta e a do CFP apontam na mesma direção: falar do serviço, e não diagnosticar quem está lendo. Eu reúno outros motivos de reprovação no artigo sobre erros que fazem o anúncio ser reprovado.

A nota tem um trecho que eu faço questão de mencionar para quem me contrata: mesmo quando a divulgação é feita com ajuda de empresa terceirizada, plataforma ou profissional de marketing, a responsabilidade de verificar se o conteúdo cumpre a ética continua sendo do psicólogo, que pode ser responsabilizado pela publicidade indevida.

Por isso eu escrevo os anúncios partindo da nota, e mostro cada peça antes de publicar. Mas a palavra final é de quem tem o CRP.

Como isso vira uma campanha

Imagine uma psicóloga em Juiz de Fora que atende adultos com terapia cognitivo-comportamental, presencial e on-line. Eu montaria assim:

  1. Google, campanha de pesquisa para quem busca "psicóloga Juiz de Fora" e "terapia cognitivo-comportamental Juiz de Fora", com termos negativos para afastar quem procura curso, estágio e "grátis".
  2. Página de destino explicando a abordagem, para quem é o atendimento, como funcionam as sessões e onde fica o consultório, com nome completo e CRP visíveis, e sem preço como chamariz.
  3. Instagram com conteúdo educativo, sobre como funciona a terapia e quando procurar ajuda, sem nenhuma pergunta sobre a saúde mental de quem está vendo.
  4. Perfil da empresa no Google bem preenchido, porque muita gente pesquisa o nome antes de entrar em contato. Explico como no artigo sobre Google Meu Negócio para clínicas.

Em caso de dúvida sobre uma peça específica, o Conselho Regional de Psicologia da sua região é quem orienta. Se você é psicólogo e quer divulgar o seu trabalho dentro dessas regras, veja como funciona a minha gestão de tráfego pago ou me chame para conversar. As regras para médicos são outras, e estão no artigo sobre anúncio para médicos.

Perguntas frequentes

Respostas rápidas

Psicólogo pode fazer anúncio pago no Instagram ou no Google?

A Nota Técnica CFP 1/2022 não proíbe anúncio pago: ela diz que o psicólogo tem autonomia para escolher os meios de divulgação, desde que avalie os mais adequados eticamente e assuma a responsabilidade pela escolha. O anúncio precisa seguir o Código de Ética: nome completo, a palavra psicóloga ou psicólogo, o CRP e o número de registro, sem sensacionalismo, sem promessa de resultado e sem preço como propaganda.

Psicólogo pode divulgar preço ou desconto da sessão?

Não como propaganda. A Nota Técnica CFP 1/2022, com base no artigo 20 do Código de Ética, orienta que o preço não seja usado como forma de propaganda e cita termos a evitar, como preço social, atendimento social, desconto, pacote promocional e valor acessível. Cupom promocional e sorteio não são permitidos. Divulgar convênios com instituições, universidades e clínicas é permitido.

Psicólogo pode usar depoimento de paciente na divulgação?

A orientação do CFP é não usar. A Nota Técnica 1/2022 diz que o psicólogo não pode usar depoimentos nem fotos de pessoas atendidas, e que, com consentimento expresso e por escrito, o uso é permitido mas não recomendado, pelo risco de exposição, principalmente de crianças e adolescentes. Análise de caso que identifique a pessoa atendida viola o sigilo.

O que precisa aparecer no anúncio de psicólogo?

Nome completo ou nome social, a titulação psicóloga ou psicólogo, o CRP em que está inscrito e o número de registro. A Nota Técnica CFP 1/2022 diz que isso é obrigatório em qualquer meio, inclusive quando se usa apelido ou logomarca no perfil. Na clínica que é pessoa jurídica, quem responde pelo cumprimento das regras é o responsável técnico.

Quer isso aplicado no seu negócio?

Eu analiso o que já está rodando e te digo o que faria no seu lugar, sem proposta genérica e sem compromisso.

Simone Oliveira

Simone Oliveira

Gestora de tráfego pago, integrante do Subido PRO, a mentoria do Pedro Sobral, e certificada por ele em Google Ads e Meta Ads. Sede em Juiz de Fora, atendimento em todo o Brasil. Escrevo aqui sobre o que aplico nas contas dos meus clientes, sem teoria que não sobrevive à prática.

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