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Estratégia

Quanto cobra um gestor de tráfego, e o que entra no preço

Mensalidade fixa, percentual da verba ou pagamento por resultado: o incentivo que cada modelo cria, o que entra na gestão e o que fica à parte.

Um gestor de tráfego cobra de três formas: mensalidade fixa, percentual sobre a verba de anúncio ou pagamento por resultado, às vezes misturando duas delas. Em qualquer uma, o preço da gestão é separado da verba, que é o dinheiro que vai direto para o Google e para a Meta. Eu cobro mensalidade fixa, a partir de R$ 1.000 por mês, com a verba à parte (para negócio local, costumo começar entre R$ 600 e R$ 1.500 por mês) e contrato mínimo de três meses. Mais importante que o número, porém, é entender o que cada modelo faz o gestor querer, e o que está ou não está incluso no valor que te passaram.

Gestão e verba de anúncio são duas contas diferentes

Esta é a confusão que mais atrapalha a comparação de orçamentos. Quando alguém fala "o gestor cobra tanto", às vezes está falando só do trabalho, às vezes do trabalho mais o anúncio.

  • Gestão é o pagamento de quem planeja, monta, acompanha e ajusta as campanhas.
  • Verba é o que o Google Ads e o Meta Ads cobram para mostrar o seu anúncio.

O jeito mais seguro é a verba sair do cartão da sua empresa, cadastrado na própria conta de anúncio. No Google Ads, a forma de pagamento é configurada dentro da conta, e o gestor entra com um dos níveis de acesso que a plataforma oferece, sem precisar ser dono dela. Assim você vê exatamente quanto foi gasto em anúncio, e o que você paga ao gestor fica numa nota separada.

Desconfie de orçamento que junta tudo num valor só, sem dizer quanto vai para a plataforma. Não é necessariamente má-fé, mas você perde a capacidade de saber quanto está pagando pelo trabalho e quanto está de fato anunciando.

Mensalidade fixa: o que esse modelo faz o gestor querer

Na mensalidade fixa, o gestor recebe o mesmo valor todo mês, independente de quanto você investe em anúncio.

O incentivo que isso cria: ele não ganha nada se você gastar mais. Se a melhor decisão do mês for cortar uma campanha que não está trazendo conversa, cortar não diminui o pagamento dele. Isso deixa a recomendação de verba mais limpa.

O ponto de atenção é o contrário: como o valor não muda, um gestor pouco comprometido pode fazer o mínimo. A proteção contra isso não está no modelo de cobrança, está em saber com que frequência ele olha a conta e o que ele te entrega no fim do mês. Escrevi sobre essas perguntas em como escolher um gestor de tráfego.

É o modelo que eu uso: eu cobro pela gestão, não por quanto você gasta.

Percentual sobre a verba: quando o interesse dele e o seu se separam

No modelo de percentual, o gestor recebe uma fração do que você investe em anúncio. Se a verba dobra, o pagamento dele dobra junto.

Para empresa que investe muito e tem trabalho proporcional ao tamanho da conta, esse modelo tem lógica: conta maior costuma ter mais campanha, mais criativo e mais análise. Para negócio local, com verba curta, ele cria dois problemas.

  1. O conflito na hora de mexer na verba. Existe mês em que a decisão certa é reduzir o investimento: a agenda lotou, a campanha saturou, a oferta precisa ser revista. Quem ganha percentual perde dinheiro ao te recomendar isso.
  2. O valor fica pequeno demais com verba baixa. Um percentual sobre uma verba de negócio local resulta num pagamento que mal cobre o trabalho, e aí ou o gestor cobra um piso mínimo (o que, na prática, vira mensalidade fixa), ou dedica pouco tempo à sua conta.

Não é um modelo desonesto. É um modelo em que você precisa ficar mais atento a cada recomendação de aumentar a verba.

Pagamento por resultado: por que parece seguro e raramente é

"Só pago se der resultado" soa como o modelo sem risco. Para negócio local, quase nunca é, por um motivo simples: o gestor controla o anúncio, mas não controla o resto da venda.

Entre o clique e o dinheiro no caixa existem o seu atendimento no WhatsApp, o tempo de resposta, o seu preço, a sua agenda e a sua concorrência. Nenhum desses está na mão de quem cuida da campanha. Por isso, quando o contrato é por resultado, uma de duas coisas acontece:

  • O "resultado" vira algo que o gestor controla, como número de contatos ou de cadastros. Aí o incentivo é trazer o máximo de contato pelo menor custo, e contato barato costuma ser contato curioso. Expliquei por que isso acontece em por que o anúncio só traz curioso.
  • O gestor cobra pelo risco que está assumindo. Se ele aceita receber só quando você vende, o valor por venda vem mais alto para compensar os meses em que não recebe nada.

Existe também o modelo misto, com uma parte fixa e um bônus por meta. Ele pode funcionar quando a meta é bem definida e medida de um jeito que os dois conseguem conferir. Se a meta for "número de leads", vale a mesma ressalva acima.

Os três modelos de cobrança lado a lado

ModeloComo o gestor ganhaO que ele tende a quererOnde você precisa prestar atenção
Mensalidade fixaValor igual todo mêsManter o cliente satisfeito com o resultadoFrequência de acompanhamento e qualidade do relatório
Percentual da verbaFração do que você investeQue a verba cresçaToda recomendação de aumentar o investimento
Por resultadoPor contato ou venda geradaVolume do que é contado como resultadoComo "resultado" é definido e medido

O que costuma estar incluso na gestão de tráfego, e o que é cobrado à parte

Dois orçamentos com o mesmo valor podem entregar coisas muito diferentes. Antes de comparar preço, compare escopo. No meu caso, a gestão inclui:

  • diagnóstico do que já existe e configuração de pixel, conversões e GA4 (o Google Analytics 4, que mede o que acontece no site) antes de qualquer anúncio;
  • estrutura das campanhas no Google Ads e no Meta Ads, separadas por objetivo, com segmentação pela região que faz sentido para o seu negócio;
  • criativos e textos montados a partir do material que a empresa já tem (fotos, vídeos, informações do serviço);
  • testes de criativo, público e oferta, e remarketing para quem já demonstrou interesse;
  • acompanhamento diário logo depois que as campanhas entram no ar e ajuste semanal depois disso;
  • relatório mensal em português: quantas pessoas chamaram, quanto custou cada conversa e o que vai mudar no mês seguinte.

E fica fora da gestão:

  • a verba de anúncio, que vai direto para as plataformas;
  • produção de criativo do zero (sessão de fotos, gravação de vídeo), que é combinada à parte antes de começar;
  • página de destino, quando o site atual não converte: é um serviço separado de landing page;
  • postagem no perfil do Instagram, que é trabalho de social media, não de tráfego;
  • o atendimento das conversas, que é da sua empresa. O anúncio entrega a pessoa no WhatsApp; quem fecha é você. Sobre isso, escrevi o que fazer quando o lead chega no WhatsApp.

Faça essa mesma lista com qualquer orçamento que receber. Se o gestor não souber dizer o que está fora, é provável que você descubra no meio do contrato.

Por que a gestão de tráfego costuma ter contrato mínimo

Eu trabalho com período mínimo de três meses, e o motivo é técnico, não comercial.

As primeiras conversas costumam aparecer nos primeiros dias. Mas um custo por contato previsível leva de 60 a 90 dias, porque é o tempo de testar criativo, público e oferta com dados suficientes para saber o que está funcionando e o que foi sorte. O passo a passo dessas fases está em quanto tempo leva para o anúncio dar resultado.

Contratar por um mês e cancelar é pagar pela fase mais cara (a de aprendizado) e sair antes da fase em que o trabalho começa a render. Abaixo de três meses, eu não teria tempo de otimizar, e não seria honesto cobrar por isso.

Como comparar dois orçamentos de gestão de tráfego

Coloque os orçamentos lado a lado e responda, para cada um:

  1. Quanto é gestão e quanto é verba? Se não estiver separado, peça.
  2. Qual é o modelo de cobrança? E o que acontece com o pagamento do gestor se você aumentar ou reduzir a verba.
  3. O que está incluso? Criativo, página, relatório, frequência de ajuste.
  4. As contas ficam no nome da sua empresa? Conta de anúncio, pixel e perfil do Google.
  5. Qual é o prazo mínimo, e por quê? Prazo com motivo é planejamento. Prazo sem motivo é amarra.

O orçamento mais barato que não inclui configuração de conversão, por exemplo, sai caro: sem saber quais anúncios geram conversa, a verba é gasta no escuro. E para saber se a gestão está se pagando, a conta é a de como saber se a campanha está dando lucro, não o custo por clique.

Quando ainda não vale pagar um gestor de tráfego

Nem todo negócio precisa de gestão de anúncio agora. Se o seu perfil no Google está incompleto, sem fotos e sem avaliações, quem vê o anúncio e vai pesquisar a empresa encontra pouca coisa para confiar. Nesse caso, organizar o Perfil da Empresa no Google costuma vir antes.

O mesmo vale se ninguém consegue responder o WhatsApp no mesmo dia. Anúncio traz gente; se a conversa esfria por falta de resposta, a verba e a gestão são pagas para nada.

Se quiser saber se o seu negócio já está pronto para anunciar, e quanto faria sentido investir em verba no seu caso, me chame pelo contato. O diagnóstico é gratuito, e se eu achar que ainda não é hora de você pagar gestão, eu falo.

Perguntas frequentes

Respostas rápidas

Quanto cobra um gestor de tráfego?

Depende do modelo de cobrança: mensalidade fixa, percentual sobre a verba ou pagamento por resultado. Em qualquer um deles, a gestão é separada da verba de anúncio, que vai direto para o Google ou para a Meta. Eu cobro mensalidade fixa a partir de R$ 1.000 por mês, com a verba à parte e contrato mínimo de três meses.

O valor da gestão de tráfego inclui o dinheiro dos anúncios?

Não. São duas contas diferentes. A gestão paga o trabalho de quem planeja, sobe e ajusta as campanhas. A verba é o dinheiro que o Google e a Meta cobram para mostrar o anúncio, e o ideal é que ela saia direto do cartão da sua empresa, na conta de anúncio que está no seu nome.

É melhor pagar o gestor por porcentagem da verba ou por valor fixo?

Os dois funcionam, mas criam incentivos diferentes. Na porcentagem, o gestor ganha mais quando você gasta mais, e isso pesa justamente quando a decisão certa é reduzir a verba. No valor fixo, o ganho dele não muda com o seu investimento, então ele não tem motivo para empurrar gasto. Eu trabalho com valor fixo por esse motivo.

Vale a pena contratar gestor de tráfego que cobra só por resultado?

Raramente para negócio local. O gestor controla o anúncio, mas não controla o seu atendimento, o seu preço nem a sua agenda, então ou o "resultado" vira algo que ele controla, como número de contatos, ou ele assume um risco que acaba embutido no preço. Contato barato e sem qualidade é a armadilha mais comum desse modelo.

Quer isso aplicado no seu negócio?

Eu analiso o que já está rodando e te digo o que faria no seu lugar, sem proposta genérica e sem compromisso.

Simone Oliveira

Simone Oliveira

Gestora de tráfego pago, integrante do Subido PRO, a mentoria do Pedro Sobral, e certificada por ele em Google Ads e Meta Ads. Sede em Juiz de Fora, atendimento em todo o Brasil. Escrevo aqui sobre o que aplico nas contas dos meus clientes, sem teoria que não sobrevive à prática.

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